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O efeito manada na gestão

No livro “Uma breve história do século XX”, Geoffrey Blainey conta que um dos pesquisadores que descobriu o DNA em 1953, James Watson (o outro foi Francis Crick), declarou que o caminho que seguiram para vencer a corrida rumo a essa descoberta foi o de “permanecer distante das teses por demais discutidas”. A dupla tinha poucos recursos e estrutura e conseguiu em apenas 18 meses suplantar um desafio que foi – e será – a chave para inúmeras descobertas relevantes para nossa saúde.
Tomo emprestado essa referência do campo da medicina para explorar uma crença que para mim está cada dia mais evidente: temos de tomar muito cuidado com as verdades absolutas que se proliferam no mundo da gestão.
Vivemos em um ambiente que se caracteriza pelo excesso de modismos. O avanço da influência da tecnologia da informação em nosso dia a dia só potencializa esse comportamento, pois a cada dia surge uma onda nova. Em geral ocorre aquilo que no mercado financeiro ficou conhecido como “efeito manada”. Ao identificar um novo padrão que começa a angariar seguidores, uma leva de pessoas adotam o mesmo comportamento sem uma explicação racional, tal qual o estouro de uma manada. E tome profissionais – e empresas – adotando novas ferramentas digitais sem saber exatamente o motivo.
A crença cega nas verdades absolutas pode levar o profissional ao emburrecimento, a superficialidade. Como conseqüência sua evolução pessoal – e profissional – fica comprometida na medida em que prevalece a visão tática em detrimento da estratégica. Devemos nos preparar – e a nossas equipes – para exercitar uma visão mais profunda, dando espaço a reflexão, ao questionamento.
Não se trata de uma tarefa fácil, pois é muito mais cômodo seguir o rumo da manada e deixar-se levar. O fato concreto, porém, é que agindo dessa forma seu crescimento dependerá da evolução de seu grupo de referência. E é bom estar claro que evolução nem sempre é sinônimo de crescimento. É só termos em mente aquela frase pronta muito utilizada em hospitais e periódicos: o quadro do paciente evoluiu para o óbito.

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