sábado, dezembro 16, 2017

Faz tempo que desejo publicar esse post, porém seus desdobramentos são tantos que temia resultar em um texto muito longo. Como o conteúdo é tão rico, resolvi arriscar (e o post ficou longo mesmo ;-))
Como você já percebeu eu gosto de utilizar metáforas em meus textos. Acredito que a metáfora é uma das formas mais impactantes de apreender uma mensagem complexa. Pois uma das metáforas que mais gosto é o Mito da Caverna de Platão já que, em minha opinião, é de uma atualidade espantosa.
Resumidamente, Platão conta a história de um grupo de pessoas que vivia, desde seu nascimento, acorrentados em uma caverna. Na escuridão desse local, tudo o que viam era o vulto das pessoas nas paredes iluminadas pelo fogo da fogueira que os aquecia. Um dos prisioneiros consegue se desvencilhar das correntes e decidi conhecer o mundo exterior. Ao sair da caverna, a iluminação lhe cega causando muita dor, desconforto. Ele quase desiste de sua empreitada, porém decidi insistir e habitua-se com essa nova realidade. Seguindo adiante ele percebe um mundo totalmente diferente daquele que estava acostumado.
Toma contato com uma realidade muito distinta de sua percepção cunhada ao longo de anos por meio de sua interpretação dos vultos e imagens projetados nas paredes escuras da caverna e percebe que sua vida inteira foi baseada em ilusões afastadas da verdadeira realidade.
Decide retornar a caverna para compartilhar com seus amigos sua experiência e libertá-los abrindo suas mentes para essa nova realidade. Em minha opinião, é em seu retorno a caverna que Platão nos reserva o ponto alto de sua reflexão. Quando o personagem conta sua experiência e mostra a nova realidade a todos você sabe o que acontece? Ele é tomado por todos como maluco, mentiroso e, não aguentando lidar com essa nova realidade, o grupo acaba lhe suicidando.
Como comentei, essa metáfora nos traz milhões de interpretações de uma incrível riqueza. Irei me ater a algumas delas só para compartilhar com você algumas percepções acerca de nossa realidade (de nossa caverna).
Ao tomarmos contato pleno, profundo com o conhecimento, é possível que ele nos cegue. É duro, difícil, requer bastante sacrifício nos aprofundarmos para acessarmos a verdade essencial das coisas. Como a Vivian Sampaio comentou em meu post sobre a frase de Fernando Pessoa (pensar dói como andar a chuva), a superficialidade é muito mais cômoda, nos dá uma maior percepção de segurança, pois não confrontamos valores estabelecidos e tidos como verdades universais. Porém, para realmente crescermos, evoluirmos, construirmos o novo é necessário sair de nossa zona de conforto, de nossa caverna e acessar a verdade essencial de nossos desafios.
Ao enxergar coisas que a maioria não está enxergando é possível que você seja tomado como louco, maluco, insano. Isso é natural. Não se assuste e não mude sua trajetória devido a esse impacto inicial. Essa intolerância fará parte da caminhada. Não é uma loucura um brasileiro adquirir um time de futebol nos EUA e, em 7 meses, ingressar na principal liga do país mais rico do mundo? Ou um grupo de brasileiros ser dono da maior cervejaria do mundo e ousar pensar em adquirir a Coca Cola? Se contassem para você essa história a alguns anos o que você acharia (de verdade)? Pois, guardadas as devidas proporções, sugiro que você tenha sonhos e ambições nessa mesma medida empreendendo sua vida a frente de um negócio próprio ou mesmo em uma organização privada ou pública. Para isso é necessário sair da caverna e se preparar muito, se aprofundar nos temas críticos, não ser levado pelo conhecimento superficial, fugir das respostas fáceis a perguntas complexas.
Acredite: você pode! Porém, não vou lhe enganar: o único lugar onde recompensa vem antes de sacrifício é no dicionário. Por outro lado posso lhe garantir que a jornada compensa. Vamos nessa!

(não falei que ia ficar muito grande? Mas antes de terminar tenho 2 dicas: o Saramago escreveu um livro chamado “A Caverna” que é baseado nesse mito. É uma obra incrível. Sugiro muito sua leitura; acompanho sempre o Podcast Brasil do Luciano Pires. Também recomendo muito, pois ele nos traz essa visão da mudança. Veja nesse link a transcrição da programa baseado no Mito da Caverna. Muito bom!! http://migre.me/gIrSt)

Sandro Magaldi é CEO e co-fundador do meuSucesso.com, a maior plataforma de empreendedorismo do Brasil impactando milhões de empreendedores mensalmente. É considerado um dos maiores experts em Gestão Estratégica de Vendas do país e autor do livro “Vendas 3.0: Reposicionando o vendedor, a equipe de vendas e toda a organização” definido pelo Pai do Marketing moderno Philip Kotler como “um daqueles livros que nos faz pensar”.

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