segunda-feira, dezembro 11, 2017

Há mais de 10 anos tive a oportunidade de participar de um evento com Alvin Toffler. Na época o pensador americano apresentou uma visão que me marcou bastante: no futuro, a distinção não será mais entre empresas grandes e pequenas e sim entre mais rápidas e mais lentas (não me lembro da frase literal dele, mas o sentido era esse).
Toffler acertou em cheio. Atualmente, devido aos benefícios advindos da tecnologia, o porte da empresa já não é o único elemento de êxito de uma organização como ocorria no passado. Empresas menores prosperam em seus mercados ao serem mais ágeis, inteligentes e aproveitarem sua estrutura para serem mais flexíveis e aderentes às necessidades do mercado. E isso não tem a ver com seu tamanho.
Tudo isso evidencia a importância do aprender continuamente. A lógica é a seguinte: já que a dinâmica do mercado muda constantemente com uma velocidade incrível, é necessário aprender continuamente sobre as oportunidades advindas dessas mudanças. Uma empresa com estrutura mais enxuta tem mais condições de ser mais adaptável às oscilações do ambiente a seu redor do que uma maior já que a tendência é que essas tornem-se mais engessadas e pouco flexíveis.
É necessário, no entanto, uma visão mais clara sobre o modelo de aprendizagem mais adequado ao atual contexto dos negócios. Está mais do que evidente que o modelo convencional, acadêmico, não atende as necessidades de empreendedores e gestores que, mesmo estando ávidos por aprender, são dragados pelas demandas do dia a dia. Sabe aquela visão de que a rotina engole a estratégia todos os dias no café da manhã? Podemos adaptar para “a rotina engole o desejo de aprender todos os dias no café da manhã”.
É imperativo refletirmos sobre o modelo de aprendizagem corporativo que irá driblar essas barreiras e tornar-se efetivamente útil e produtivo permitindo adaptar os desafios diários da rotina dos negócios com o investimento no aprender.
Um modelo adequado à atual dinâmica dos mercados deve privilegiar forma e conteúdo na mesma proporção. Devido a sua disponibilidade farta, temos visto praticamente uma commoditização dos conteúdos disponíveis. A educação corporativa deve valer-se do potencial apresentado pela tecnologia e pelas novas linguagens para incorporar em seu modelo o referencial do entretenimento como forma. Gosto muito do conceito de “edutainment” que alia, em sua definição, as esferas da educação e do entretenimento em uma mesma proposta de valor.
Privilegiar a forma não significa desprestigiar o conteúdo. Na realidade, esse trade-off não existe. Não podemos correr o risco de seguir o caminho adotado pela mídia de massa mundialmente que, em nome de uma forma “apetitosa”, acabou relevando o conteúdo a um segundo plano, emburrecendo sua audiência com programas pobres e medíocres. Obviamente é possível termos conteúdo de boa qualidade com forma atraente na mesma proposição.
Apenas aliar a forma e conteúdo, no entanto, não é o suficiente. O mercado corporativo requer prática, conceitos que sejam aplicados no dia a dia e que se traduzam em soluções para os problemas e desafios por quais as organizações tem de lidar cotidianamente. Aquela visão de que “o mundo não paga pelo que você sabe e sim pelo que você faz” é mais do que aplicável ao ambiente dos negócios. Nenhum empreendedor ou executivo será recompensado por ter notório conhecimento em qualquer tema e sim por suas ações práticas, ou seja, pela execução de seu potencial intelectual.
O modelo de aprendizagem no ambiente de negócios deve aliar conceitos teóricos, experimentais e prática. Chega de digressões intelectuais a respeito de temas tão intangíveis e distantes do empreendedor como modelos matemáticos de avaliação da competitividade em seu setor. Deve haver uma premissa de que nunca seja colocado o foco em um tema ou conteúdo que não seja passível de experiência prática na realidade do interlocutor. Ou a academia se aproxima dessa realidade ou ela será simplesmente abandonada por esse mercado (é o que já está acontecendo, a propósito).
A boa notícia é que a tecnologia atual e futura permite, de forma inédita, a atender aos requisitos de construir um modelo de educação que realmente funcione no ambiente corporativo. O primeiro passo é efetivamente valorizar a necessidade do aprendizado como mola propulsora do desenvolvimento das organizações e disponibilizar-se a investir nessa proposição e esforço. Seguramente temos disponível e veremos surgir inúmeras alternativas relevantes que darão sua contribuição a esse desafio.
No final do dia, voltamos ao primeiro parágrafo desse artigo ousando fazer uma adaptação na visão do futurólogo Alvin Toffler: não serão as maiores empresas que prosperarão e sim as mais ágeis, as que aprenderem mais depressa. Opa, rolou um Darwin aí, não é? Bom sinal…

Sandro Magaldi é CEO e co-fundador do meuSucesso.com, a maior plataforma de empreendedorismo do Brasil impactando milhões de empreendedores mensalmente. É considerado um dos maiores experts em Gestão Estratégica de Vendas do país e autor do livro “Vendas 3.0: Reposicionando o vendedor, a equipe de vendas e toda a organização” definido pelo Pai do Marketing moderno Philip Kotler como “um daqueles livros que nos faz pensar”.

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