Ensinando o que não se sabe

21 novembro 2011

O atual ambiente de negócios caracteriza-se por alta dose de incerteza. Os modelos até então vigentes tem caído por terra um a um em um efeito dominó. O que ocorre no mundo corporativo, na realidade, é reflexo das mudanças que caracterizam a sociedade contemporânea.

Nos negócios, um dos reflexos dessa incerteza é a complexidade em preparar adequadamente as pessoas para operarem com êxito perante aos novos desafios que se sucedem diariamente. Essa é uma das faces muitas vezes negligenciada ou esquecida do já popular “Apagão de Talentos” que caracteriza nosso país ainda hoje (mesmo com a tal da crise global batendo em nossa porta).

As organizações e todos os atores do sistema corporativo (escolas de negócios, consultorias, governo etc) deveriam refletir com mais conseqüência sobre esse desafio. O modelo atual em ensino de gestão é inadequado, pois se caracteriza pelo desenvolvimento de programas e proposições que tem como foco principal o ensino de questões fechadas, as tradicionais “receitas de bolo”. Seguindo um padrão tradicional opta-se por oferecer um contexto onde as respostas já seguem um modelo pré-formatado.

Essa lógica, que está presente nas empresas e é conseqüência do modelo vigente nas salas de aula, atende apenas parcialmente as demandas de aprendizado das organizações e deveria dar lugar a uma dinâmica caracterizada pelo aprendizado de mão dupla, onde as soluções são construídas mediante a um diálogo constante entre professor e aluno.

O objetivo de quem ensina não deverá estar centrado em oferecer as respostas a todas as perguntas e sim em permitir que o próprio aluno tenha espaço para elaborar o significado do que busca. Essa busca estará orientada para o entendimento mútuo entre as partes – quem ensina e quem aprende – e as respostas estarão presentes na área de interseção destes dois agentes.

Parece muito distante da nossa realidade, não é? Pois retomando ao início de nossa conversa, estamos vivendo um ambiente de intensas
transformações. Para liderar esse processo é necessário refletir sobre caminhos até então não desbravados. Como na época das grandes navegações, colherão os frutos de sua ambição aqueles que ousarem novos rumos. Está mais do que chegada a hora de iniciarmos essa revolução.