“Não peça garantias, não peça segurança, jamais houve semelhante animal”

01 Março 2017

Usualmente revisito obras icônicas muito cultuadas quando jovem. Procuro novos olhares e interpretações mediante a meu repertório atual.

Nesse contexto devorei Fahrenheit 451 de Ray Bradbury um clássico lançado em 1953 que é de uma atualidade assustadora

O autor constrói uma narrativa baseada em uma sociedade que, como um dos recursos principais para dominação de seus cidadãos, extingue todos os livros que são queimados por bombeiros que agem como Inquisidores da Idade Média.

A metáfora é espetacular e suscita reflexões deliciosas como a idéia da ditadura da maioria que, com suas garras, pune a diversidade ao estabelecer o conhecimento comum como o único detentor de valor.

Nesse contexto, o senso comum tem lugar central (olha ele aí de novo...), já que inibe a reflexão crítica (daí vem a ideia da extinção dos livros) e coloca todos e tudo no mesmo saco.

Qualquer semelhança com a atual sociedade caracterizada pelo maniqueísmo e patrulhamento de idéias adversas não é mera coincidência.

Arrisco afirmar que tão relevante quanto a obra original do autor é o Prefácio para a edição brasileira de Manuel da Costa Pinto. Uma obra prima que reflete a metáfora a luz da nossa realidade.

Substitua a palavras "livros" por "conhecimento" e veja que preciosidade esse pensamento do autor:

"Os livros soam um convite a transcendência, ao desvario, à errância, ao desvio em relação ao destino bovino da humanidade conformada".

Abaixo a Ditadura da maioria, ao nefasto senso comum e a todas as estratégias de dominação escondidas sob disfarces como o "politicamente correto" (um dos meus inimigos prediletos).

Estamos assustadoramente próximos da distopia de Bradbury, porém minha crença na transgressão do ser humano é mais forte.

Como afirma Manuel da Costa Pinto:

"A digressão é a alma do intelecto"

Vamos despertar, digredir e pensar com nossa própria cabeça. Não se deixe iludir pelo status quo a despeito da tentação da malfadada zona de conforto.

Minha sugestão: leia, adquira conhecimento desmedidamente, embriague-se de cultura e garanta que nunca queimarão seus livros.

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